“Tinha chegado o grande dia. Como era sábado, a Rita aproveitara para dormir ate mais tarde e, mal se levantou, viu, numa jarra colocada sobre a mesinha redonda, um ramo de rosas ao qual estava preso um cartão. Leu-o em voz alta:

– Um grande beijo dos pais neste dia tão importante! Votos das maiores felicidades… Irene e Henrique.

Cheirou as flores e sorriu enternecida com aquele gesto dos pais. Depois, vendo que a casa estava silenciosa, foi à cozinha, onde Gracinda lhe deu um beijo e a felicitou pelos quinze anos, rematando que estava, decididamente, muito velhota.

– Os meus pais? – Quis saber Rita.

– O seu pai foi comprar o jornal e a mãe foi ao cabeleireiro.

– Outra vez?!

– Sabe que a sua mãe gosta de andar sempre com o cabelo arranjado, menina. É por isso que ela tem o cabelo tão bonito.

A Rita tirou uma maçã da fruteira e começou a comê-la.

– Então e o resto? – Perguntou Gracinda.

– Qual resto?

– O leite e o pão? Só vai comer isso?

– Só. Estou a guardar-me para o teu almoço e, sobretudo, para o teu jantar! Queres que eu fique uma baleia?

– Tss… que disparate! A menina é uma trinca-espinhas! Coma lá um pãozinho e deixe-se dessas coisas, vá.

– Não quero Gracinda, já disse. Olha estão a tocar a porta. Deixa-te estar, que eu vou lá.

Ainda de maçã na mão, a Rita abriu a porta e deparou-se-lhe um homem novo, bem vestido de mais para ser carteiro, que lhe entregou um embrulho, dizendo:

– Parabéns Rita!

Sem que ela tivesse tido tempo de perguntar ao homem quem era ou, pelo menos, agradecer-lhe a felicitação, o desconhecido sumiu-se, caminhando a passos largos pelo jardim ate ao portão.

Curiosa por saber o que traria o embrulho que o homem lhe trouxera, encaminhou-se para a sala e abriu-o. De dentro de uma caixa de cartão saiu então uma moldura prateada com uma fotografia de um bebe ao colo de um jovem muito parecido com o individuo que, pouco tempo antes lhe dera os parabéns e desaparecera.”

Quem será este homem? Lê este livro e logo verás quem é ele.

Patrícia Ribeiro, 6ºB