Esta história fala-nos de um caracol que queria descobrir a importância da sua lentidão. O caracol não tinha nome tal como os outros caracóis, o que criava alguma confusão. Quando um caracol chamava por outro para lhe contar alguma coisa todos os caracóis olhavam. Os que estavam do seu lado direito voltavam a cabeça para a esquerda; os da esquerda, para a direita; os que estavam à frente, para trás; e os de trás esticavam as suas cabecinhas sussurrando: “É a mim que queres contar uma coisa?” Quando isto acontecia, o caracol que queria contar uma coisa movia-se lentamente, primeiro para esquerda, depois para a direita, a seguir para a frente ou para trás, repetindo: “Sinto muito, não é a ti que quero contar uma coisa”, até chegar ao caracol a quem de facto queria contar uma coisa.

    O caracol que queria descobrir a importância da lentidão também queria ter um nome e não passar a vida a ser chamado de caracol. Os outros caracóis diziam que ele estava maluco, que estava tudo muito bem assim. Os caracóis mais velhos também não o apoiavam, mas o caracol que queria descobrir a importância da lentidão não pensava em desistir. Ao caracol parecia-lhe injusto não ter um nome, mas os caracóis não queriam saber e continuavam a fazer a sua vida tranquilamente.

      Farto daquela vida e de os caracóis estarem constantemente a ameaçá-lo, decidiu partir para descobrir a importância da lentidão e prometeu que só voltaria quando a descobrisse e quando tivesse um nome. Já de noite, o caracol como já estva cansado, decidiu descansar um pouco. Avistou uma rocha que lhe parecia encantadora para passar a noite.  Sobe para cima da rocha e tenta aconchegar-se o mais possível nela. Já com os olhos fechados sente a rocha a mexer-se e estranha. Ele espreita para ver o que se passa e repara que a rocha não é uma rocha, mas sim uma tartaruga. Depois de se ficarem a conhecer, a tartaruga chamada Memória conta-lhe o porquê do seu nome e onde vivia. Depois de uma longa conversa, o caracol apercebeu-se que ele e a Memória tinham muito em comum. A Memória ficou amiga do caracol e começou a chamá-lo de Rebelde.

      Rebelde para um caracol? Se queres saber por que é que a Memória deu o nome Rebelde ao caracol e se Rebelde descobriru a importância da lentidão, lê este fántisco livro.

Ana Beatriz