Este livro de Ana Maria Moix conta-nos a fascinante história de como Miguelão, com todos os defeitos que assinalava em si mesmo, conseguiu conquistar a alma de um menino chamado Bibi, não tendo aquilo que se poderia valorizar maioritariamente nele, apesar de outra qualidades: a sua voz aguda que, quando se elevava, tornava-se um puro clarim mas que fazia dele um ótimo cantor e os seus cabelos pretos encaracolados que, por mais que tentasse assentar, seriam sempre encaracolados. Apesar de também ser corpulento, com apenas sete anos, Miguelão já era mais alto que o seu irmão Júlio, que tinha, na altura, nove anos. Para a personagem principal, Júlio tinha exatamente tudo o que ele não tinha: se alguém dizia «Que simpático é o Júlio!» ou até «Como é encantador este menino!», Miguelão pensava «Claro, eu sou antipático porque o Júlio é simpático.» apesar disso ser a mais pura das mentiras. Miguelão também contava com o apoio do seu fiel e protetor cão Pepe e com a coscuvilhice da misteriosa, mas também fiel, gata Pastora. Mas afinal quem é este Bibi? O mais recente vizinho de Miguelão, sim… Mas tinha algo mais: uma postura incrivelmente graciosa e, de acordo com Miguelão, uns fatos que o fascinavam de todo. Como era belo… De cabelos loiros, encantou-o de tal forma que Miguelão poderia ter passado todo o verão a olhar para ele, montado na sua bicicleta, do outro lado da rua, se não fosse um dia…

     O que será que vai acontecer neste dia? Haverá mais alguma coisa a acrescentar à definição de Bibi? Será que virá a conquistar mesmo a alma do seu novo vizinho e fazer dele o seu melhor amigo? Se sim, de que maneira? Que decisões terá que tomar para tudo isso acontecer? Será que Júlio também estará envolvido nesta história? E os seus dóceis animais domésticos? Embarcarão eles também nesta aventura que é a possível paixão entre “quase amigos”? Depois de todas estas perguntas, deixo-vos uma ainda maior: QUEM SERÁ ENTÃO MIGUELÃO??

José Pedro Marques