Terminei a leitura de um livro com um título original: Histórias ao telefone do escritor Gianni Rodari.

O autor referia que as histórias tinham sido inventadas por um senhor, o qual, para satisfazer a vontade da filha, arranjava sempre uma história para cada noite. Como andava em viagem, o homem utilizava frequentemente o telefone.

Este livro tem trinta e quatro pequenas histórias, pois como eram transmitidas “ao telefone”, nunca poderiam ser narrativas muito extensas.

Deliciei-me com as pequenas e extraordinárias histórias: “O caçador desafortunado”; “O palácio de sorvete”; “O passeio de um distraído”; “A casa de estragar”; “A mulherzinha que contava os espirros”; “O país sem ponta”; “O des-país”; “Os homens de manteiga”; “Alice Trambolhona”; “A estrada de chocolate”; “A inventar números”; “Brif, bruf, braf”; “A compra da cidade de Estocolmo”; “Para tocar no nariz do rei”; “A famosa chuva de Piombolino”; “O carrocel de Cesanatico”; “A praia de Óstia”; “O rato da banda desenhada”; “História do reino da Comilónia”; “Alice cai ao mar”; “A guerra dos sinos”; “Uma violeta no Pólo Norte”; “O jovem caranguejo”; “Os cabelos do gigante”; “O nariz desertor”; “A estrada para lado nenhum”; “O espantalho”; “A brincar com a bengala”; “Velhos provérbios”; “Apolónia das compotas”; “A velha tia Ada”; “O sol e a nuvem”; “O rei condenado à morte”; “O mágico dos cometas”.

Todas estas histórias levam-nos para o mundo da fantasia, criatividade e imaginação.

Fiquei encantada e vou partilhar um resumo de algumas extraordinárias histórias.

Assim, a história “O carrocel de Cesanatico” fala de um carrocel à beira-mar, empurrado por um pequeno, magro e tisnado homenzinho. Um dia, um senhor de idade levou o seu neto a andar de carrocel. O neto sentou-se num jipe vermelho e o velhote também quis andar e sentou-se num cavalo de pau. O carrocel, ao som de uma humilde melodia, girava, as crianças divertiam-se e o velhote imaginava-se a sobrevoar vários países, chegando a alcançar o record de Gagarim (cosmonauta soviético).

“O jovem caranguejo” fala de um caranguejo que andava a matutar por que razão a sua família andava toda para trás. Então, determinado e persistente como era, decidiu que começaria a andar para a frente como todos os outros. Assim o fez. Começou a treinar, mas a tarefa não era nada fácil. Porém, a pouco e pouco, começou a andar para a frente. Afinal tudo se aprende, quando há força de vontade. Já preparado, apresentou-se à família. Os pais ao verem tal comportamento ficaram muito tristes e desiludidos com ele e os seus irmãos gozavam-no. Certo dia, o pai disse que se quisesse continuar lá em casa, teria de andar como os outros caranguejos e se quisesse fazer as coisas à sua maneira, teria de se ir embora e não mais voltar. O corajoso caranguejo, todo decidido, despediu-se dos pais e dos irmãos e partiu pelo mundo fora. Durante o caminho, todos que o viam, faziam comentários pouco agradáveis, mas ele ignorava. Um dia encontrou um velho caranguejo que o aconselhou a fazer como os outros e a voltar para casa. Mas ele, como era determinado e teimoso, seguiu orgulhosamente o seu caminho. Será que conseguirá corrigir todas as coisas tortas deste mundo?

“A praia de Óstia”, certo dia apareceu na praia de Óstia um homem extravagante, que chegou em último lugar e não encontrava qualquer espaçozinho para colocar o seu chapéu-de-sol. Então, criativo que era, deu um toque no cabo e logo o chapéu-de-sol pôs-se a flutuar à beira mar. Pegou numa cadeira e num livro, que começou a ler. A dada altura caiu-lhe o livro em cima de uma senhora gorda. A senhora de tão assustada que ficou caiu para trás e, como era gorda, não se conseguia levantar. Acudiram-na os seus sobrinhos que começaram a reclamar com o senhor extravagante. Ele ignorou e dizia que “ também pagava impostos” pelo que teria de ter um lugar na praia. Várias crianças perguntavam como é que o senhor conseguia estar a flutuar, pois também queriam estar lá. O homem extravagante continuava a sua leitura…

“História do reino da Comilónia” fala de um senhor chamado Digestor que começou a governar o país da Comilónia. Depois dele, por ordem cronológica, subiram ao trono o Comilão Terceiro, Comilão Quarto, até chegar ao comilão Nono. E assim terminou a dinastia … Mas que disnatia!

“Alice cai ao mar”, esta história trata de uma rapariga chamada Alice Trambolhona. Alice foi até ao mar e não queria sair de lá. A rapariga queria ficar dentro de água até se transformar num peixe. Alice foi para casa e, antes de se deitar, viu-se ao espelho a ver se já estava a ganhar barbatanas ou escamas. No dia seguinte, Alice foi para a praia mais cedo do que o costume e encontrou um rapaz que apanhava conchas. Alice perguntou-lhe se sabia como se transformava em peixe, então o rapaz pousou as conchas em cima de uma rocha e atirou-se à água. Passado um bocado Alice vê um golfinho a dar cambalhotas no meio das ondas. O rapaz veio ao pé de Alice e disse-lhe para experimentar e Alice mergulhou. Mas por azar caiu dentro de uma concha. Saiu e foi para casa …

“A guerra dos sinos” era uma vez, uma enorme e terrífica guerra que já durava há bastante tempo. Para que conseguissem vencer a guerra, com um só tiro, o Extrageneral de um dos exércitos pediu para retirar todos os sinos dos campanários e fazerem um grande canhão. Assim foi … mas entretanto, o comandante do exército inimigo também fez o mesmo com os sinos do seu país. O Extrageneral bombástico deu um grito para iniciar o combate e o seu canhão descomunal soltou um Dim! Dom! Dam… houve um momento de silêncio e do outro lado ouviu-se também, como resposta, um alegre Dim! Dom! Dam! A guerra terminou e os inimigos, Extrageneral e o Mortechal, desapareceram nos seus automóveis, para bem longe!

Ao ler o livro Histórias ao telefone, que recomendo aos meus amigos que gostem de fantasia, envolvemo-nos num delicioso mundo de imaginação, humor e criatividade.

Querem conhecer as outras histórias? Vão à biblioteca da nossa escola e requisitem o livro. Vão rir sem querer!!

Filipa Jorge Ferreira