Novembro 2015


Uma vez mais, vou falar-vos de mais um livro da coleção “Os sete irmãos” cujo titulo é : “ Miguel contra ataca”, em que são autoras Margarida Fonseca Santos e Maria João Lopo de Carvalho. Adoro ler esta coleção, pois retrata a vida do dia a dia de uma família que, além de ser numerosa, é parecida com qualquer outra família; ao lê-lo, conhecemos as personalidades e as peripécias vividas por cada um dos membros que compõem esta família Machado.

O livro que li fala-nos essencialmente do Miguel, um dos irmãos mais velhos, com 16 anos e que é um excelente jogador de futebol. É um rapaz amoroso, gentil, e namora com a Rita há cerca de dois anos.

O Miguel anda no 11º ano e ia ter o teste de Inglês. Então lembrou-se de que como o professor de inglês dele era o mesmo que teve a sua irmã mais velha (a Maria), talvez os testes pudessem ser iguais. Procurou então no quarto da Maria o teste e, com um pouco de sorte, o teste dele seria o mesmo. De seguida pediria à avó Fernanda, que era aposentada e fora Professora de Inglês, ajuda para resolver o teste e dessa forma teria boa nota sem grande esforço. Mas, o seu amigo Paulo contou ao Miguel e à Rita que conseguiu algo mais valioso: tinha o enunciado do verdadeiro teste de Inglês para a turma, que tinha retirado da sala dos professores quando não estava lá ninguém. Agora era só resolver o teste e teriam uma excelente nota. Rita ficou muito chateada com a atitude do Paulo, e recusou-se a fazer batota para o teste. Para além disso, ficou zangadíssima com o Miguel, pois ele também queria fazer batota. A avó Fernanda ajudou o Paulo e o Miguel a resolver o teste de Inglês e os dois amigos, apesar da avó do Miguel insistir, já não quiseram estudar mais nenhuma das matérias dadas a Inglês. E depois, em vez de estudarem inglês, foram divertir-se a jogar futebol.

Chegado o dia do teste de Inglês, e para surpresa dos dois amigos, o teste não era o mesmo. Miguel ficou aflito, pois o teste correu-lhe muito mal e teria, de certeza, negativa! Ele decidiu contar aos pais a batota que tentou fazer, tendo os pais, por um lado reprovado a atitude e ficado magoados com o que o filho tinha feito, mas ao mesmo tempo contentes pelo ele ter assumido que errou.
Saíram os resultados do teste de Inglês e, como seria de esperar, Miguel teve negativa. Os pais, como castigo de todo o sucedido, comunicaram que Miguel não iria participar no Estágio de Futebol no Porto, onde o seu clube de Futebol iria estar presente.

Miguel bem se esforçava para convencer a Rita em perdoar-lhe e fazerem as pazes, mas a Rita deixou de lhe falar e passou a ignorá-lo. Ao mesmo tempo, a amiga de Rita, chamada Leonor, tenta aproximar-se de Miguel dizendo-se apaixonada por ele, e pretendia tirar-lho à sua amiga Rita.
Contudo, não conseguiu porque o Miguel gosta muito da Rita.

Uma tragédia aconteceu com o primo de quem a Rita gostava muito: o Zeca, um miúdo com grandes potencialidades no Surf, tinha tido um grave acidente no mar, e estava em coma no hospital. Precisaria de ser operado. Então o Miguel, os seus irmãos e amigos, em colaboração com a escola e a publicidade das redes sociais da internet, conseguiram a solidariedade de todos para dar sangue, para ajudar o Zeca na difícil operação a que iria ser submetido.
Depois de muita angústia, Miguel tentou sempre ajudar a Rita emocionalmente, e dar-lhe todo o carinho e apoio necessário. Naquele momento fez as pazes com a namorada. Miguel estava feliz por isso. Quanto à cirurgia do Zeca, foi um sucesso e ele iria recuperar pouco a pouco.

A irmã mais velha de Miguel, chamada Maria, que tinha ido estudar um ano para os Estados Unidos, regressa a casa. A família e os amigos organizaram uma festa que começou no aeroporto e acabou em casa. Além disso, a Maria tinha o namorado à espera: o João Pedro de quem sentia muitas saudades. Quando finalmente estiveram juntos não faltaram beijos e abraços de todos.

Quanto ao estágio de futebol no Porto, o melhor amigo do Miguel, o Sérgio, não fora convocado, e o treinador adiou o estágio para o início do Verão para possibilitar ao Miguel a recuperação das suas notas da escola. Miguel ficara triste pelo Sérgio, que apesar de não pertencer à equipa principal do Desportivo de Santarém, julgava-o agora capaz de a poder integrar, e por isso capaz de poder participar no estágio no Porto.

Miguel resolveu ajudar o amigo, e começou a treiná-lo fora dos treinos oficiais, até que Sérgio já parecia um craque no Futebol. Nos jogos que se seguiram, Sérgio demonstrou que poderia pertencer à equipa principal, e então o treinador convocou-o para o Estágio no Porto. Sérgio ficou contentíssimo, agradecendo ao amigo tudo quanto fizera por ele, e ao Miguel também lhe agradou a ideia de poder ir para o Porto com o amigo.

No primeiro jogo do estágio, iria estar presente nas bancadas a assistir um treinador que selecionava jogadores para a seleção nacional de sub-19, e Miguel sabia que ele estava ali para o ver jogar, e poderia ser ele o escolhido para a seleção. Mas o jogo correu muito mal, Miguel jogou pessimamente, e quem brilhou nesse jogo foi o seu amigo Sérgio, graças aos treinos extras dados pelo Miguel. Miguel quis desistir do estágio, mas foi impedido pelo pai.

Depois da sua fraca exibição em jogo, será Miguel o escolhido para integrar a seleção Nacional de sub-19? Lê este livro e logo te surpreenderás com tudo o que vai acontecer.

Afonso Marques Ribeiro

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   Eu gostei imenso deste livro… Desenvolve-se num meio rural, numa serra isolada. Este livro fala-nos de um senhor já bastante idoso, chamado João, que, após ter tido uma trombose, foi viver para a casa da filha. Ela gostava muito dele, então fazia tudo o que estava ao seu alcance para lhe agradar.

   Quem não gostou muito da vinda do avô João lá para casa foram os netos: o narrador (não refere o nome no livro) e a sua irmã Ana. Naquela casa era sempre um chinfrim e as noites passaram a ser insustentáveis, pois o avô João não parava de gritar descontroladamente.

   Certo dia, com mais um dos seus gritos impacientes, chamou a sua filha e disse-lhe num tom de voz sussurrante algo que a deixou um pouco incomodada. Ele queria realizar o seu último desejo, pois garantia que o seu fim estava perto. A filha saiu do quarto e parou para pensar. Como gostava tanto de seu pai, certificou-se apenas com o marido e lá foi um “sim” a caminho do quarto do avô João.

   Numa manhã chuvosa a família reuniu-se toda e dirigiu-se para a carrinha. Andaram bastantes quilómetros de carro e alguns a pé até chegarem a um monte muito alto. Aí, o avô ficou muito agradecido à filha por o ter levado lá. Era a sua terra, o seu lugar, ali estavam as suas recordações da infância e da adolescência.

Demoraram alguns minutos a subir e chegaram a uma casa em ruínas. Aí, o avô exclamou:

   – Esta é a minha casa!

Apesar do avô estar bastante perturbado os netos não queriam saber. O avô contou-lhes histórias de quando era criança, mas também da sua adolescência, e mesmo assim os netos não o ouviam.

   Uma das histórias que ele lhes relatou foi a do Joaquim Batata. Um homem que não vivia em Pardinhas, mas que quando podia dava lá um saltinho.

O Joaquim Batata contava às crianças histórias onde tudo parecia fantasia, mas não, na boca do Batata tudo era realidade. Ele conhecia, por exemplo, uma fonte que secava de súbito em pleno inverno, e depois, em vez de água, pingavam gotas de sangue. Também conhecia uma capela em plena serra onde ele não dormia, porque mal ele fechasse os olhos os santos começavam logo a ralhar com ele… E outras e tantas outras histórias.

   Quando ele se ia embora a pequenada dizia formando um coro de vozes afinadas:

   – Quando voltas Batata?

   – Breve, meninos.

Leiam este livro! Ele vai surpreender-vos com as histórias da vida do avô João, tempos em que tudo era tão diferente…

Leonor Silva