Eu gostei imenso deste livro… Desenvolve-se num meio rural, numa serra isolada. Este livro fala-nos de um senhor já bastante idoso, chamado João, que, após ter tido uma trombose, foi viver para a casa da filha. Ela gostava muito dele, então fazia tudo o que estava ao seu alcance para lhe agradar.

   Quem não gostou muito da vinda do avô João lá para casa foram os netos: o narrador (não refere o nome no livro) e a sua irmã Ana. Naquela casa era sempre um chinfrim e as noites passaram a ser insustentáveis, pois o avô João não parava de gritar descontroladamente.

   Certo dia, com mais um dos seus gritos impacientes, chamou a sua filha e disse-lhe num tom de voz sussurrante algo que a deixou um pouco incomodada. Ele queria realizar o seu último desejo, pois garantia que o seu fim estava perto. A filha saiu do quarto e parou para pensar. Como gostava tanto de seu pai, certificou-se apenas com o marido e lá foi um “sim” a caminho do quarto do avô João.

   Numa manhã chuvosa a família reuniu-se toda e dirigiu-se para a carrinha. Andaram bastantes quilómetros de carro e alguns a pé até chegarem a um monte muito alto. Aí, o avô ficou muito agradecido à filha por o ter levado lá. Era a sua terra, o seu lugar, ali estavam as suas recordações da infância e da adolescência.

Demoraram alguns minutos a subir e chegaram a uma casa em ruínas. Aí, o avô exclamou:

   – Esta é a minha casa!

Apesar do avô estar bastante perturbado os netos não queriam saber. O avô contou-lhes histórias de quando era criança, mas também da sua adolescência, e mesmo assim os netos não o ouviam.

   Uma das histórias que ele lhes relatou foi a do Joaquim Batata. Um homem que não vivia em Pardinhas, mas que quando podia dava lá um saltinho.

O Joaquim Batata contava às crianças histórias onde tudo parecia fantasia, mas não, na boca do Batata tudo era realidade. Ele conhecia, por exemplo, uma fonte que secava de súbito em pleno inverno, e depois, em vez de água, pingavam gotas de sangue. Também conhecia uma capela em plena serra onde ele não dormia, porque mal ele fechasse os olhos os santos começavam logo a ralhar com ele… E outras e tantas outras histórias.

   Quando ele se ia embora a pequenada dizia formando um coro de vozes afinadas:

   – Quando voltas Batata?

   – Breve, meninos.

Leiam este livro! Ele vai surpreender-vos com as histórias da vida do avô João, tempos em que tudo era tão diferente…

Leonor Silva